A nova fornada de All-Stars e 5 All-Stars que mal saíram do forno

por fev 3, 2024

Foram anunciados os plantéis dos All-Stars deste ano e é curioso notar que, embora algumas coisas demorem a mudar – LeBron James e Giannis Antetokounmpo continuam a liderar as suas conferências respetivas como “capitães –, começam-se a notar sinais de uma viragem dos fãs para os novos talentos a entrar na liga.

Luka Doncic está cada vez mais cimentado como um titular “garantido” nas escolhas do All-Star para a Conferência Oeste, mas era presumido que Steph Curry teria um lugar fixo ao seu lado. Não este ano. O seu lugar foi “usurpado” por Shai Gilgeous-Alexander. E, do modo que estes dois talentos absurdos andam a jogar, este poderá muito bem ser um “render da guarda” e não apenas uma decisão temporária. E agora esperem um pouco que tenho de proteger o meu portátil, que o Adam Silver está mesmo atrás de mim e começou a salivar profusamente.

Na Conferência Este, temos a anomalia lógica que é Tyrese Haliburton: um jogador em constante movimento, com momentos de enorme criatividade e com um apetite insaciável para disparar passes para todo o lado – e que, no entanto, basicamente nunca faz turnovers. A transição de Haliburton de jogador interessante com potencial para estrela imparável tem sido meteórica e ele tornou-se um favorito entre fãs de todas as equipas – incluindo este que aqui vos escreve.

E só estou para já a falar dos titulares. Nos reservas também se tem assistido a uma muito agradável renovação dos talentos. A Este, temos nomes como Jalen Brunson, Tyrese Maxey e Paolo Banchero, apenas no seu 2.º ano na liga. Nas escolhas da Conferência Oeste, encontramos Anthony Edwards. E é basicamente garantido que também lá teremos Wembanyama no próximo ano.

Tradicionalmente, as escolhas dos “outros” All-Star, por serem feitas pelos treinadores, tendem a favorecer veteranos e jogadores mais “estabelecidos”. E, que fique bem claro, as escolhas deste ano têm muito disso também. Mas é inegável a “revolução jovem” que está em curso na NBA. Uma revolução que começa pelas escolhas dos fãs mas que claramente está a contaminar também os media, os treinadores e até os jogadores, que não conseguem negar o talento destas novas fornadas de estrelas prontas para tomar controlo da liga.

E qual é a conclusão que eu retiro de tudo isto? Que, ao ler as idades de muitos talentos que acabei de enumerar e aperceber-me que tenho idade para ser pai de muitos deles, o meu instinto é apagar tudo o que já escrevi e entrar em modo Shaq e começar a dizer mal de todos os jogadores jovens porque sou um bebé inseguro.

Mas já se faz tarde e o Ricardo Brito Reis vai-me matar se eu não entregar este texto a tempo e horas, por isso vou fingir que o meu coração não está negro de ressentimento e deixar a juventude em paz, para já.

Para já.

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Porque não sou capaz de fazer um artigo todo no mesmo tom, decidi contrapor a celebração dos novos talento na NBA com uma enumeração de alguns dos piores All-Stars de sempre:

Chris Kaman (2009-2010)

Durante grande parte da sua carreira, Chris Kaman não foi mais que um centro mediano de rotação. O clássico jogador que fazia os seus números sem grande pompa nem circunstância mas que ninguém confundiria com uma “estrela”. Na época de 2007-2008 os seus números começaram a aumentar e, dois anos mais tarde, o poste terminou a temporada com 18.5 pontos de média. O suficiente para lhe garantir um lugar no All-Star Game, não obstante os Clippers serem uma equipa muito medíocre, que terminou a temporada com um registo de 29-53. Depois deste ponto alto, a carreira de Kaman entrou em claro declínio, arruinando muitos “drafts” de fantasy até nos apercebemos que ele nunca voltaria a ser o mesmo. Que legado.

Jeff Teague (2014-2015)

Durante múltiplos anos em Atlanta, Jeff Teague era a pura definição de um point guard aceitável. Cerca de 15 pontos, cerca de 7 assistências. Nem mais nem menos. Certinho com um relógio. O seu jogo fazia lembrar uma espécie de Mike Conley da Wish. Um floor general que não comprometia mas também oferecia pouco de mais substancial – e que não defendia, de todo, tão bem. Então como se explica esta nomeação ao All-Star. Para os mais jovens que me estão a ler, os Atlanta Hawks de 2014-2015 foram um pequeno fenómeno, jogando um basket coletivo como há muito não se via na liga. Para “premiar” a temporada, foram escolhidos quatro Hawks para os All-Star Reserves: Al Horford, Paul Millsap, Kyle Korver e, sim, Jeff Teague.

Jayson Williams (1997-1998)

Que carreira estranha que este homem teve. Durante os primeiros 6 anos na liga, era pouco mais que um jogador de fundo de banco. Depois, conquistou a titularidade nos Nets e, na temporada de 1997-1998, começou o ano com 17 ressaltos ofensivos no jogo de estreia (sim, leram bem), lançando o mote para uma temporada em que liderou a NBA em ressaltos ofensivos, com 6.8. Foi recompensado com uma ida ao All-Star Game. E, depois, foi sempre a cair. Na época seguinte, partiu a perna com gravidade e acabou por ter de se reformar. Seguiram-se inúmeros problemas legais, geralmente em incidentes relacionados com posse de armas, culminando em 27 meses na prisão depois de matar um condutor de limusinas.

B.J. Armstrong (1993-1994)

No rescaldo da reforma temporária de Michael Jordan, B.J. Armstrong uma posição de maior liderança nos Chicago Bulls e tornou-se o terceiro melhor marcador da equipa. Que fique bem claro, fez uma boa temporada e merece crédito pela mesma, mas não deixa de ser surreal que se tenha tornado All-Star. Com médias de 14.8 pontos e 3.9 assistências, é capaz de ser uma das piores linhas estatísticas de alguém votado para um All-Star Game, principalmente se considerarmos que ele foi titular na equipa da Conferência Este. Sim, titular. Os fãs de Chicago estavam mesmo desesperados por continuar a ter um base na equipa e votaram em massa. E, assim, garantiram um pedaço de trivia que irá confundir novos fãs ao longos dos anos.

Jamaal Magloire (2003-2004)

Se querem um bom exemplo de como as coisas não estavam especialmente bem na liga no início do século, basta olhar para esta seleção de Jamaal Magloire. Era também uma altura especialmente fraca para a Conferência Este a nível de talento disponível, de um modo geral. LeBron tinha acabado de chegar, mas os treinadores não adoram votar em rookies. Para o resto da sua vida, Magloire será recordado como o jogador que todos apontam em conversas sobre os jogadores mais bizarros que alguma vez foram nomeados para um All-Star Game. Esperemos que ele seja daqueles que acredita que toda a publicidade é boa publicidade. Curiosamente, ele até jogou bem no jogo em si, liderando a conferência com 19 pontos.

Autor

Pedro Quedas

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