Antevisão das Finais: Quando os Celtics tiverem a bola

por jun 2, 2022António Dias, Lucas Niven

Na antevisão das Finais do Borracha Laranja, o Lucas Niven e o António Dias desafiaram-se a analisar ambos os lados do meio-campo, respondendo às principais questões que um e o outro colocam para esta série. 

Nesta edição, o António analisa a defesa dos Warriors e o ataque de Boston, com cinco perguntas lançadas pelo Lucas.

No ‘small lineup’ de GSW (Steph/Poole/Klay/Wiggins/Dray), assumindo que Wiggins defende Tatum e que Boston joga com Al + 1 Williams, quem será o matchup de Green? Conseguirão manter Boston da tabela ofensiva?

Al Horford com Draymond Green sempre, um dos Williams a defender Wiggins. Com Robert Williams, os Celtics certamente não o querem tão longe do cesto, a iniciar jogadas no topo com Green ou em handoffs com os bases dos Warriors. Fica com Wiggins, arrisca dando esse espaço para atirar, mas usa sua a destreza de para cobrir o máximo de espaço e ainda conseguir servir como protetor do cesto. Com Grant Williams, os Celtics têm alguém que consegue defender Wiggins e até anular um pouco esse tal small ball dos Celtics, ficando posição por posição.

Um dos objetivos do small lineup dos Warriors será também ser mais proativo na defesa, provocar mais penetrações e aproveitar alguns problemas que os Celtics mostraram no ball handling em pequenos espaços. Procuram com isso também jogar um basket mais rápido e apostar na lei dos números: permitir uma maior liberdade interior e vantagem para os Celtics e apostar mais no lançamento exterior do outro lado. Podem sofrer um pouco na tabela defensiva, mas tentam impôr o seu jogo e obrigar os Celtics a, eventualmente, fazer o mesmo.

Ainda assumindo Wiggins com Tatum, como devem os Warriors abordar a defesa ao Jaylen Brown – será Klay suficiente?

Poderá não ter de ser Klay Thmpson, se Kerr for atrevido o suficiente para colocar Draymond Green (jogando a 4) com Jaylen Brown, tal como fez com Brunson. Klay Thompson passa a ficar “escondido” num dos bigs, aproveitando a sua força, visto que a sua mobilidade tem vindo a cair. Ou que também pode acontecer  em situações em que o 3 e o 4 são Wiggins e Otto/Iguodala, ou até com minutos de Gary Payton II. Mas sim, em certas alturas, Klay Thompson terá, obrigatoriamente, de aumentar o nível defensivo e defender uma das principais armas ofensivas dos Celtics em Jaylen Brown.

Tirar o lançamento, forçar a penetração com a pior mão (que tantos problemas criou na série com os Heat), ser bastante físico e ter ajuda suficientemente próxima para obrigar a um erro ou simplesmente a tirar a bola das mãos de Jaylen.

Os Warriors conseguem sobreviver defensivamente se não houver Gary Payton II, Otto Porter Jr. e Andre Iguodala nesta série?

Os três terão os seus momentos nesta série, em momentos de maior aperto defensivo por parte dos Warriors e para criar problemas aos Jay’s dos Celtics. Tudo depende do estado defensivo de Klay Thompson e da capacidade de Stephen Curry para, pelo menos, criar problemas no perímetro a Marcus Smart. Porque sem isso, é muita gente a abrir avenidas de fora para dentro. Com os Celtics tão prolíficos a criarem pressão no cesto através de penetrações, a defesa no perímetro terá de ser pelo menos aceitável para que os Warriors sobrevivam aos minutos sem estes três em campo. Prevejo, ainda assim, menos Poole do que noutras séries e mais Payton e Otto (Iguodala encaixa aqui se Porter Jr. não estiver a 100%). Mais do que isso, muitas alterações nos jogadores responsáveis por Tatum, Brown e Smart, para garantir que não se sentem confortáveis e que as ações defensivas dos Warriors não são tão previsíveis.

Com a excepção de Grayson Allen, Boston tem preferido manter-se fiel ao seu dribble penetration, ao invés de atacar matchups específicos. Como os vês a abordar a “defesa” do Jordan Poole?

Gosto das aspas para a defesa de Poole. Embora fiéis aos seus princípios, houve vários momentos em que vimos os Celtics a procurarem o mismatch, “correndo” com Duncan Robinson para fora do campo.

A ideia será sempre atacar e manter pressão no aro, obrigar as equipas a escolherem entre fechar a área restritiva (abrindo espaço aos atiradores) ou a abrir essas avenidas. Mas, com Poole em campo, essas penetrações ficam mais fáceis de encontrar. Com White, Smart e Brown capazes de o fazer, vejo os Celtics a procurarem esse caminho. Um dado importante é também o pick and roll dos Celtics ser um dos tipos de ataque mais utilizados, mas um dos menos eficazes (0.87 PPP), enquanto os Warriors têm como melhor atributo a defesa ao bloqueio direto (0.81 PPP) nestes playoffs. Será interessante perceber se tentam chamar o jogador defendido por Poole para jogar o bloqueio ou se procuram, através de saídas bloqueadas/pin downs/rotação da bola, com que esta chegue ao jogador defendido por Jordan Poole. (Atendendo à série anterior, será a segunda opção).

Em lineups com Horford + Grant Williams, ambos capazes de jogar pick and pop ou de serem spacers no corner 3, conseguirá Looney manter-se em campo?

A resposta resumida é não. Embora importante na proteção do cesto e ressalto, Looney não tem a mobilidade necessária para conseguir acompanhar o espaçamento que a dupla dos Celtics providencia. Nesses casos, veremos muito Draymond Green a 5, com Wiggins/Otto/Andre na posição 4. Em casos extremos, em que Looney tenha de estar em campo ao mesmo tempo que a dupla Horford + Grant, entrará um pouco a regra usada contra Dallas: fechar o pintado, impedir as entradas de Tatum, Brown e companhia e forçar os elementos complementares a serem marcadores de pontos.

E embora isso possa ser um problema se mantiverem a média dos playoffs (Horford 43.2% nos playoffs de 3 pontos, Grant Williams 40.5%), ambos estão em maré mais baixa recentemente (4/16 para Horford, 2/10 para Williams nos últimos 4 jogos) e Steve Kerr poderá jogar com isso, pelo menos na fase inicial da série.

Previsão para a série?

Warriors em 6.

por ANTÓNIO DIAS [@antoniodias_pt] & LUCAS NIVEN [@lucasdedirecta]

Borracha Laranja

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