Troca de presentes, edição NBA

por dez 23, 2022Lucas Niven

Um negócio para cada equipa da liga, sem nunca repetir nenhuma, nem nenhum jogador. Escusado será dizer que, à medida que menos equipas vão sobrando, mais lunático vai ficando o negócio.

Neste passado dia 15 de Dezembro, 74 jogadores da NBA passaram a estar elegíveis para serem negociados, naquele que marca o início não-oficial da época de trocas da NBA. Daqui até 9 de Fevereiro, serão dois meses fervilhantes de rumores, boatos, adeptos sonhadores e quase-negócios, onde compradores se acotovelam por reforçar o seu plantel e vendedores gritam “Quem dá mais?” pelos seus activos, prometendo aos seus adeptos um passo atrás por vários gloriosos passos em frente num futuro que, no final, nunca está assim tão próximo.

Todo este crescendo no suspense resulta não raras vezes numa mão cheia de nada, e não é incomum a trade deadline ser, aos olhos daqueles que estão à espera de fogo-de-artifício, algo desapontante. A verdade é que até dia 15 de Janeiro ainda há muitos jogadores que não podem ser negociados, e é extremamente raro algum negócio acontecer logo no dia 15 de Dezembro (há 12 anos que não acontece. Por favor, espreitem qual foi.)

Logicamente, isto não me vai impedir de dar largas à imaginação, e, seguindo o espírito natalício, de tentar encontrar um reforço para cada equipa. Mais: foi mesmo em registo “troca de presentes”, ou seja, encontrei um negócio para cada equipa da liga, sem nunca repetir nenhuma, nem nenhum jogador. Comecei por ordem alfabética, e fui por aí fora. Escusado será dizer que, à medida que menos equipas vão sobrando, mais lunático vai ficando o negócio. Não quero com isto dizer que ache que algum destes deals vá acontecer, mas alinhem comigo: há alguma lógica nisto, e afinal de contas o Natal está aí. Vamos a elas.

Hawks dobram o all-in, e vendem Collins

Começamos bem. Os Atlanta Hawks arriscaram muito ao emparelhar Dejounte Murray com Trae Young; agora não é altura de voltar para trás. A equipa está com um registo irregular e John Collins, há muito no trade block, é cada vez mais carta fora do baralho, sozinho no canto condenado a lançar uns triplos. Arranjam os Hornets para dançar nesta troca, trazendo um jogador similar, mas de manutenção menor em PJ Washington, e trazem também Gordon Hayward, alguém que esperam que possa contribuir. Uma jogada com um risco calculado, uma vez que não terão hipótese de adquirir talento na free agency. Os Hornets, pouco interessados em vitórias, deixam de se preocupar com a renovação de PJ e arranjam um bom companheiro para alley-oops com LaMelo, num contrato que lhes permite contar com o jogador a médio prazo, e livram-se do contrato de Hayward.

Celtics reforçam o frontcourt, adicionam Kenrich Williams

Cá está a primeira de algumas trocas que só poderá acontecer daqui por um mês, uma vez que Kenrich Williams assinou uma extensão de contrato este Verão. Os Celtics estão a atropelar a NBA e pouco quererão mexer na sua equipa. Apesar do regresso de Robert Williams III, Luke Kornet e Blake Griffin são suplentes frágeis, e em caso de nova lesão do Timelord podem deixar a equipa magra no interior. Williams é um jogador interessante, versátil na defesa e complementar no ataque, com quem não terão de se preocupar em desenhar jogadas. Cedem Pritchard, um projecto sem espaço que os Thunder poderão explorar, e uma escolha de segunda ronda só porque isso faz parte da cadeia de valores do Sam Presti.

Nets adicionam presença interior, Kings encontram o sósia de Huerter

É conhecido o interesse dos Nets em sacudir da sua folha salarial o contrato de Joe Harris, bem como a necessidade que têm em reforçar a sua presença interior, onde as grandes épocas de Nic Claxton e Kevin Durant têm conseguindo (sem grande ajuda adicional) manter os Nets à tona no lado defensivo da bola. Felizmente, os Kings têm em Richaun Holmes esse jogador, e não contam com ele para os planos da equipa. Aproveitam assim a oportunidade de ter um Kevin Huerter 2.0 na equipa, e mantendo sempre um dos dois em campo, maximizam o seu agradável estilo de jogo ofensivo na luta pelo há muito desejado lugar nos playoffs.

Bulls assumem tanking, Mavs arriscam tudo

Os Chicago Bulls, como vaticinado por este vosso amigo há muito, não irão a parte nenhuma como construídos no presente. A solução? Assumir o não regresso de Lonzo este ano, deixar o joelho de LaVine sarar em paz e sossego, receber activos por DeMar DeRozan e pelo expirante Vucevic, e esperar que o draft lhes traga uma escolha no top-4, preservando-a assim em vez de a entregar aos Orlando Magic. Os Mavericks, numa posição desesperada pelo fraco retorno de Wood e a lesão de Maxi Kleber, pagam o necessário para ter um dos melhores criadores de lançamento da liga a ajudar Luka Doncic, e tirar-lhe algum do fardo de cima.

Cavs encontram a sua válvula de escape, Pacers começam a virar a página

Com o regresso de Ricky Rubio, e com dois portadores de bola dominantes no cinco inicial, a presença de Caris Levert tenderá a adquirir um estatuto excedentário na equipa; Isaac Okoro é um projecto pelo qual não quererão esperar muito mais tempo. Na troca, adquirem um dos triplistas mais profícuos em toda a liga, e alguém que tirará o peso da marcação de todos os pontos das mãos dos seus bases; Brissett oferece versatilidade defensiva. Os Pacers iniciam novo capítulo, com mais um jovem para poderem desenvolver, e contam ainda com o regresso de LeVert, um portador de bola secundário para dar algum descanso a Haliburton, e terminar o seu capítulo em Indiana que não chegou a iniciar.

Denver resolve o “caso DeAndre, e assume candidatura ao título

Danny Ainge tem a equipa toda à venda, e toda a gente sabe disso (ou será que tem?) Vanderbilt pode ser difícil de adquirir, mas uma escolha de primeira ronda desprotegida deve ser suficiente. O problema é que os Nuggets já só podem oferecer a de 2029, e assim terão de enviar uma 2.ª escolha do draft deste ano para adoçar o dentinho de Ainge. Os Nuggets recebem um jogador muito competente na defesa, servindo como mais uma peça que complementa Jokic de forma espectacular do outro lado nos minutos que partilhar com o sérvio, em caso de ausência prologada de Michael Porter Jr.. Ver Vando jogar na mesma equipa de Bruce Brown, trocando bloqueios, sendo umas melgas, e a cortar incessantemente no ataque, era um sonho para mim. E sê-lo-ia para os Nuggets.

Detroit mata 2 coelhos, Raptors encontram marcação de pontos

Algo estranhamente, os Pistons declararam que Saddiq Bey estará à venda pelo “preço certo”, juntando-se a Bogdanovic no block em Detroit; é de supor que para trocar um jogador jovem como Bey, terão interesse em acumular escolhas futuras de draft. Encontram como parceiros de dança os Toronto Raptors, com um início de temporada acidentado e que deviam, dependendo a quem façam a pergunta, entrar em reconstrução ou investir ainda mais no presente. Eu tendo a concordar com a segunda, e é o que acontece neste cenário. Cedendo Gary Trent Jr. recebem BogBog, um elixir milagroso para encontrar pontos em 5×5 a meio-campo que os Raptors tanto sofrem por encontrar, e juntam ainda Bey, um jogador já de presente que poderá ter um excelente futuro no ambiente de desenvolvimento do Canadá. As escolhas de primeira ronda que cedem doem, mas a aposta num espectacular Siakam, com VanVleet e Barnes a fazer-lhe companhia, justificam.

Vocês não achavam mesmo que eu ia desperdiçar a oportunidade de trocar o Wiseman, pois não?

Uma troca que se explica a si mesma. Os Warriors, em registo “The Last Dance”, encontram nos Spurs o parceiro de troca ideal para ceder James Wiseman, recebendo Poeltl num contrato expirante que não os compromete com dinheiro futuro se assim o entenderem. O austríaco eleva imediatamente o lado defensivo da bola dos Warriors e permite utilizar outro big que não Draymond Green no short roll; Langford é um excelente suplente para Wiggins, uma espécie de Iguodala-dos-pobres. Os Spurs recebem por dois jogadores que poderiam perder a custo zero no final do ano um projecto de jogador, que desbloqueado pelo desenvolvimento interno dos texanos poderá encontrar o seu lugar na liga. Junta-se a Tre Jones, Vassel, Keldon Johnson e Sochan num núcleo de repente muito interessante, ao qual se juntará uma escolha alta no draft de 2023.

Aquela que se arrisca mesmo a acontecer

É sabido que os Bucks desejam Crowder, é sabido que os Suns querem Gordon, e é sabido que ambos irão ser trocados. Faz demasiado sentido. Milwaukee consegue o bruiser para os playoffs que procuram desde a saída de PJ Tucker, cedendo o excendentário Grayson Allen (com o regresso de Middleton e a boa época de Jevon Carter); os Suns adquirem alguém que lhes traz lançamento exterior e colmata os minutos não só de Jae Crowder, como de Cam Johnson. Houston recolhe a compensação futura de draft (tivemos que mudar aqui de trade machine para incluir três equipas numa troca e perdemos a capacidade de incluir picks), digamos que uma escolha de primeira ronda vinda dos Suns, protegida no top-20.

Clippers encontram back-up big, Pelicans adicionam lançamento exterior

Os Pelicans podiam muito bem usar um movement shooter como Kennard – é uma lacuna clara da equipa e uma necessidade para uma equipa com algumas dificuldades para encontrar pontos no perímetro. Os Clippers encontram o seu seguro para Ivica Zubac em Jaxson Hayes, um projecto sem espaço em New Orleans, e uma escolha de primeira ronda, na tentativa de rejuvenescer o plantel e ter opções válidas para um futuro que, atendendo à saúde da sua maior estrela, será sempre uma incógnita.

O rato que a montanha pariu

Depois dos infindáveis rumores que envolveram Russell Westbrook, os Lakers acabam por decidir mesmo manter o seu candidato ao prémio de melhor suplente do ano. Sobram os estarolas Beverley e Nunn, que são trocados na falsa esperança em encontrar alguma correcção à fraca prestação da equipa na linha de três pontos. Beverley negoceia buy-out e volta para Minnesota, onde ao fim de duas semanas se envolve numa altercação com Rudy Gobert. É dispensado, e assina pelos Beijing Ducks. Fim.

OK, isto está a ficar complexo

Mais uma troca a envolver três equipas, porque sim (são 30 equipas na liga, e tive de incluir outro negócio destes para as contas baterem certo). Nesta proposta, os Grizzlies reforçam o perímetro com um corpo que lhes dará sempre mais qualquer coisa que Danny Green (e que lhes permite limpar salário no ano seguinte, na entrada do mais que provável supermax de Ja Morant), e os Timberwolves uma ameaça de tiro exterior e pontos vindos do banco, dos quais precisam bastante. Os Orlando Magic, usados como facilitadores e local de descarga de Danny Green, recebem duas escolhas de segunda ronda dos Grizzlies.

Para albatroz, albatroz e meio

OK, nem eu estava à espera de me meter numa destas. Duncan Robinson é o contrato óbvio a ser movido pelos Heat, mas é de tal forma visto como negativo, que é muito difícil envolvê-lo em qualquer negócio. Pat Riley, querendo aproveitar o presente de Jimmy Butler com Bam Adebayo e Tyler Herro, saca um coelho da cartola e adiciona um all-star em Bradley Beal que permite à equipa ter potencialmente um tecto mais elevado. Vai custar-lhes Kyle Lowry e duas escolhas de primeira ronda, que é a razão pela qual os Wizards decidem finalmente trocar Beal, acumulando valioso capital pelo caminho.

Eram as equipas que sobravam, e olha que não saiu mal

Os Sixers encontram no Little um jogador muito interessante que serve desde já como seguro a PJ Tucker e com um contrato razoável a partir do próximo ano. Têm que ceder Matisse Thybulle, alguém que não tem a confiança de Doc Rivers e que os Blazers vêm com bons olhos para criar o par de defesas de perímetro mais disruptor de toda a liga, ao juntar-se a Gary Payton II.

por LUCAS NIVEN [@lucasdedirecta]

Lucas Niven

Subscreva a nossa Newsletter